Dia da Consciência Negra

20 de novembro

Uma figura de resistência

Porquê o dia 20 de novembro foi nomeado como dia da consciência negra ?

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares. A escolha do 20 de novembro aconteceu no contexto de declínio da Ditadura Militar (final da década de 70 em diante) e de redemocratização do país. O enfraquecimento da ditadura deu força aos movimentos de oposição e aos movimentos sociais, como o movimento negro.

Zumbi foi morto em 1695. A data de sua morte motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que os afro-brasileiros reivindicam. Com isso, o 20 de novembro tornou-se a data para celebrar e relembrar a luta dos negros contra a opressão no Brasil.

O Dia da Consciência Negra marca a importância das discussões

Qual é a importância do dia 20 de novembro para a memória da resistência negra?

Além das questões que envolvem Zumbi e o Quilombo dos Palmares, o Dia da Consciência Negra é uma data significativa, pois traz à luz questões importantes: o racismo e a desigualdade da sociedade brasileira.
O Dia da Consciência Negra, assim como todo o mês de novembro, marca a importância das discussões e ações para combater o racismo e a desigualdade social no país. Fala também sobre avanços na luta do povo negro e sobre a celebração da cultura afro-brasileira
A consciência negra é isto: um misto de conscientização da importância do preto na sociedade, do reconhecimento do valor, da cultura e da luta de pessoas pretas que não se calaram e levantaram a cabeça contra o racismo.

Fundamentos essenciais para desconstruir o pensar e agir racista

Mas afinal, você sabe o que é letramento

Racial?

Conjunto de práticas pedagógicas que têm por objetivo conscientizar o indivíduo da estrutura e do funcionamento do racismo na sociedade e torná-lo apto a reconhecer, criticar e combater atitudes racistas em seu cotidiano.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar

Quais os 5 fundamentos do letramento racial?
O primeiro fundamento é o reconhecimento da branquitude. Branquitude é o nome dado à construção da identidade racial branca dentro de sociedades estruturadas pela raça e pelo racismo. É a ideia de que a raça branca é superior às outras, e que diante disso passa a não ser nem considerada uma raça, mas seres humanos.
O segundo fundamento é de que o racismo não está no passado. O racismo não acabou com o “fim” do sistema escravocrata. Tente imaginar o racismo como marcas de carro, por exemplo. Os modelos mudam, a cor, o motor, mas continua sendo carro, certo? O racismo é assim. Ele muda a forma de existir, mas continua existindo e sendo racismo.
O terceiro fundamento nos diz que o racismo é aprendido. Não nascemos racistas, aprendemos. É isso. E como aprendemos?
O quarto fundamento fala sobre vocabulário racial. E aqui podemos falar fortemente sobre as expressões racistas: “inveja branca” e “lista negra”. Inveja branca significa uma “inveja do bem”, que não faz mal. Lista negra é a lista das pessoas que eu não gosto, ou que fizeram algo de errado. Percebe como a palavra branca e a palavra negro tem significados diferentes entre o positivo e o negativo?
E o quinto fundamento fala sobre a interpretação de códigos racistas. Após todos os outros fundamentos fica muito mais simples você perceber o racismo acontecendo, para além das ofensas. E você vai começar a ouvir: “pronto, agora pra você tudo é racismo”. Porque você agora tirou a venda dos olhos e verá coisas que antes não via. Conhecimento liberta.
Ao pensarmos no contexto estrutural e sistêmico, a desigualdade racial no Brasil é inquestionável e persiste devido a fragilidade de políticas públicas para o seu enfrentamento. Vejamos alguns dados relevantes da última atualização do IBGE para entendermos melhor esse cenário:

Pessoas pretas e pardas representam 56% da nossa população,

a proporção deste grupo entre todos os brasileiros abaixo da linha de pobreza é de 71%, já a fração de brancos é de 27%.

Quando olhamos os números de extrema pobreza, a discrepância quase triplica: 73% são negros e 25% brancos.
Nessa perspectiva, construir uma sociedade mais igualitária requer a compreensão do papel de cada estrutura socioeconômica na reprodução do racismo para elaborar estratégias efetivas de enfrentamento.
Fonte: IBGE

Respeito não tem cor, tem consciência

Qual a sua importância para a nossa sociedade?
O que é letramento racial ?
Porquê o dia 20 de novembro foi nomeado como dia da consciência negra ?

Durante esta significativa semana, mergulhamos em reflexões cruciais sobre as nuances e desafios que permeiam a realidade racial no Brasil. Essa jornada nos conduz a olhar para além das superficialidades, nos instigando a encarar de frente o extenso trajeto que ainda requer nossa atenção e esforço rumo a uma sociedade verdadeiramente igualitária.
É imperativo questionarmos não apenas o que fazer, mas também como agir de maneira efetiva para construir um ambiente mais acolhedor e inclusivo. A busca por justiça e equidade não é uma meta distante, mas uma jornada contínua que requer engajamento e comprometimento de todos nós.

Ao encerrar esta campanha, convidamos cada um a continuar essa reflexão em seu cotidiano. Que possamos nutrir conversas, práticas e atitudes que promovam a valorização da diversidade, o respeito mútuo e a desconstrução de padrões excludentes.
Somente quando nos desafiarmos a questionar e transformar nossos próprios preconceitos e privilégios é que estaremos verdadeiramente pavimentando o caminho para um futuro mais justo e inclusivo. A mudança começa dentro de cada um de nós. Reflita, aja e seja parte dessa transformação rumo a uma sociedade onde as diferenças raciais sejam celebradas, respeitadas e integradas em sua plenitude.